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Era uma boa pessoa

Foto do escritor: Luiz Lopes
Luiz Lopes
14 de abr. de 2020
2 min de leitura

Minha mãe é uma pessoa boa de verdade. Meu pai morreu cedo, logo depois que eu nasci, lógico, por isso nunca o conheci. Ele era um ferroviário e, um dia, uma enorme peça despencou e o matou. Disseram alguns homens que foi um acidente. Minha mãe recebeu uma pequena pensão da Companhia Ferroviária, para que pudesse completar sua renda, passou a aceitar hospedes em sua casa e assim fomos nos virando. Tendo sido um perfeito idiota desde que minha mãe pariu. Meu QI está muito próximo de 65, o que me define, segundo meus colegas. Bem, sou lento, disso não poderá haver dúvidas, mas provavelmente sou muito mais inteligente do que muitas pessoas imaginam, porque na minha cabeça se passa uma visão diferente da que vêem. No começo da minha adolescência, minha mãe me deixava sair de casa e brincar com as crianças da vila, mas de tanto implicarem comigo minha mãe percebeu e a partir desse dia fiquei proibido de sair de casa. O dinheiro era escasso, quando meu pai era vivo, estuda em colégio particular, tive que me matricular em uma escola pública e minha mãe também achava que iria me ajudar a enxergar o mundo de outra forma, mas pouco tempo depois minha mãe foi chamada e avisaram que eu não poderia mais estar ali como todo mundo. Mas me deixaram terminar o primeiro ano. O meu aproveitamento escolar era baixo, muitas vezes enquanto a professora falava, não sei o que se passava pela minha cabeça, tinha visões, o meu espirito viajava, minha cabeça fervia, gritava, e a professora me colocava de castigo no corredor sentado em um banco de madeira. Era raro as outras crianças brincarem comigo, a não ser para me baterem nas costas ou fazer com que eu gritasse para que eu servisse de bobo da corte para que todos podessem rir. Tinha uma sensibilidade aflorada, minha mãe percebeu, e se preocupou. Me lembro que uma certa noite, fui levado a um local por mim desconhecido, desci do carro, me lembro bem, subi umas escadas de uns 4 a 5 degraus, não mais que isso, a porta era branca, de madeira, minha mãe a empurrou, entrei, e me deparei com um salão enorme, revestido de azulejos brancos, todos os móveis eram de ferro na cor branca, o relógio na parede marcada 10:35 PM, achei que estaria entrando num hospital, mas estava mais para um hospício.

 
 
 

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